quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Arpilleras

Da resistência chilena, as Arpilheiras.

Encantei-me com o trabalho dessas mulheres chilenas. A arpillera era uma técnica textil chilena que possui suas raízes numa antiga tradição popular, iniciada por um grupo de bordadeiras em Isla Negra, localizada no litoral do Chile.

Minha amada cantora Violeta Parra ajudou a difundia essa técnica. Violeta dizia: " as arpilleras são como canções que se pintam"

A arpilleras são montadas com suporte de aniagem (tecido cru) pano rústico provenientes de saco de farinhas ou batatas. Toda costura é feita a mão, utilizando agulhas e fios. As vezes são adicionados fios de lã à mão ou em crochè, para realçar as figuras. O tamanho era o mesmo do saco, depois de lavado era cortado em seis partes e seis mulheres bordam suas própria história, a de sua família e de sua comunidade. Violeta expôs uma série de arpilleras no Louvre em 1964.

As arpilleras além de registrar a vida cotidiana das comunidades e de afirmar sua identidade, elas também foram uma forma de expressar a realidade e sobreviver em frente a tempos "bicudos" que a política chilena passou. Graças as arpilheras muitas mulheres chilenas puderam denunciar e enfrentar a ditadura que começou em 1973.

As arpilheras mostravam o que estava acontecendo nas suas vidas, constituindo força que elas levavam em busca da justiça e da verdade. Essas obras podiam quebrar o silêncio imposto pela situação vivida no país. Hoje, é testemunho vivo e contrinuição para a memória e história chilena.

As mulheres mandavam suas arpilleras para o exterior afim de comunicar o que estava ocorrendo no país. O governo do Chile quis de todas as formas descobrir quem estava sendo antichilena. Uma mulher chamada Chinda Perez, foi processada por enviar as arpilleras para a Suíça.

O que me chama atenção é que essa história foi registrada pela sensibilidade das mulheres em meio do horror e das atrocidades em que estavam vivenciando. Essa foi sua luta!

" Não ficaremos de mãos cruzadas diante de tanta repressão e miséria. Levaram nossos maridos, filhos e líderes. Porém, enquanto há vida há esperança, e expressamos isto em nossas ações" (testemunho dado por um grupo de base em 1987)





Essa impactante arpillera mostra pessoas sendo torturadas. Descreve graficamente a experiência de tortura testemunhadas por sobreviventes entrevistados por Violeta Morales durante a busca pelo irmão desaparecido, Newton. Mostra pessoas desumanizadas, sem traços individuais, passando por uma experiência coletiva e não pessoal. Ressalta-se a determinação da artesã em retratar esta experiência desumana e deixar um testemunho indelével.
Bibliografia:

Arpilleras da resistência política chilena/ curadoria Roberta Bacic; apresentação Marcelo Mattos Araújo.- São Paulo, 2011.

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