domingo, 13 de novembro de 2011

Os animais haviam partido

http://www.youtube.com/watch?v=1DJaPxJKhYU



Acordei e, pela primeira vez
Os animais tinham ido embora
Deixou essa casa vazia agora
Não tenho certeza se é o meu lugar
Ontem você me pediu
Para te escrever uma música agradável
Vou fazer o meu melhor agora
Mas você se foi por tanto tempo

A janela está aberta agora
E o inverno se estabelece
A gente chama isso de Natal
Quando as propagandas começam
Eu amo sua depressão
E amo sua dupla personalidade
Eu amo quase tudo
O que você tem a oferecer

Oh, eu sei é que eu te deixei
Em lugares de desespero
Oh, eu sei que te amo
Então, por favor, jogue suas tranças pra baixo

À noite eu viajo sem você
E espero não acordar
Porque acordar sem você
É como beber de uma xícara vazia

Acordei e, pela primeira vez,
Os animais tinham ido embora
Nossos relógios estão "tique-taqueando"
Então antes de nosso tempo acabar
Nós poderíamos arranjar uma casa e algumas caixas na grama
Nós poderíamos fazer bebês e músicas acidentais

Eu sei que fui um mentiroso
E sei que fui um tolo
Espero que não tenhamos terminado
Mas estou feliz de termos quebrado as regras
Minha cova está profunda agora
Mas sua luz ainda está brilhando
Eu cubro meus olhos
Ainda tudo o que eu vejo é você

Oh, eu sei é que eu te deixei
Em lugares de desespero
Oh, eu sei que te amo
Então, por favor, jogue suas tranças pra baixo

À noite eu viajo sem você
E espero não acordar
Pois acordar sem você
É como beber de uma xícara vazia

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Educadores de Museus

As pessoas que trabalham no setor educativo de museus são EDUCADORES.
Alguns termos me irrita profundamente como hoje vou fazer MONITORIA. Ou alguém que me pergunta "você é o MONITOR?". Quer me deixar com raiva nas veias e sangue escoando pelo meu ventre é dizer: "Gente, presta atenção na GUIA".

Como todos esses termos existem e eu fico demasiadamente incomodada quando as pessoas confundem, resolvi esclarecer, partindo de uma texto:

Educação em Museus: termos que revelam preconceitos. Ana Mae Barbosa 

EDUCADORES: Geralmente são formados em Universidades nos cursos de História, de Arte, de Educação, de Filosofia, de Letras e de Comunicação, enfim. Eles são educadores, pois tratam de ampliar a relação entre museu e público, ou melhor são mediadores entre a obra de arte e o público

MONITOR: É quem ajuda um professor na sala ou que veicula a imagem no HD, no caso dos computadores. Falta de autonomia e de poder próprio.

VISITA GUIADA: Outro termo preconceituoso. Pressupõe a cegueira do público e a ignorância total. Ante foi utilizado Visita dialogada (melhor!). O visitante pensa que não vai se comprometer, vai só ouvir. O termo também não é adequado (visita dialogada) pois como depende do outro para a conversa, pode amedrontar o visitante.

Se você quer ficar sozinho dentro do museu, é possível. Pode ser um momento entre você e a confortante obra de arte.

Mas se você quer conversar, chama um educador para juntos, verem a exposição, trocarem ideias e sensações e informações sobre a exposição.

CURADORIA EDUCATIVA: É usado pra dissimular o preconceito. É usado para quem organiza cursos, seminários, etc.

Bom, na realidade sou uma espécie de professora também. Não entendo o porque, nós de museus, temos um "repelimento" da educação, se somos formados pelas mesmas instituições e pela mesma pedagogia que se formam os professores. Tá certo que não carregamos conteúdos, não damos provas para avaliar e nem temos planos de aula a seguir. Partimos do outro, das referências do outro para iniciarmos nosso diálogo. Perguntamos mais, ouvimos mais e trabalhamos no improviso (lembremos: só improvisa quem domina o assunto, é igual música, teatro, enfim.)

"O desprezo pela educação que caracteriza as entidades culturais de elite é ainda maior quando essa entidade se dedica à arte, especialmente às artes plásticas. Parece que, em se tratando de arte, quanto mais protegê-la da contaminação com educação, mais valiosa será."

O museu é um lugar de elite e não está disposto a mudar sua posição. Diz que arte não se ensina. "Sejamos radicais: nada se ensina, tudo se aprender, depende do diálogo, depende do diálogo da interlocução, da intermediação, da necessidade e do interesse.

Na cultura artística brasileira, educação é considerada sinônimo de mediocridade. (...) Acredito que foi a ação repressora da ditadura e os baixos salários que criminalizaram a educação no Brasil.




    

domingo, 6 de novembro de 2011

Hiroshima, mon amour

Sempre escrevo sobre os textos que leio. Havia me esquecido que amo cinema e o quanto me faz bem "ver"...
Cada dia da minha existencia noto manias que cultivo. Dessa vez percebi que gosto de pausar o filme, como um click de fotografia... Gosto de compor a televisão. Deixo um tempo pausado e observo a tela, como se olhasse para um quadro no museu ou como se estivesse atrás de uma câmera, pronta para dar o "click".
Outra coisa que adoro fazer é escrever as frases que me toca.

Nunca havia assistido Hiroshima, mon amour. Apesar do DVD ficar pulando (isso me deixou irritadissíma) me sensibilizei com o filme.

Controlamos a memória e não controlamos o esquecimento. A gente simplesmente esqueci. O tempo não cura, o tempo mata. Afasta a presença e embaça a visão. "É um dos deuses mais lindos??". Não, definitivamente, o tempo não é um deus. O tempo é o diabo!

Como eu estou com medo de esquecer e me apavoro de pensar que vou ser esquecida.

Filme:
É um filme de amor. Uma atriz francesa vai para o Japão, especificamente em Hiroshima para fazer um filme sobre paz. As cenas pós bomba atômica são muito fortes.
Lá ela conhece um arquiteto japonês, do qual eles se aproximam intimamente encontrando o amor. Acontece que ambos moram longe e são casados. O pouquissimo tempo que eles se conhecem e que terão tempo para se conhecer não seria suficiente. Sendo assim ele elege um ponto da vida dela para ela lhe contar. Ela escolhe sua juventude, seus 20 anos na cidade de Nevers, na França, quando ela se apaixona loucamente por um soldado alemão morto em seus braços.

E assim começa o filme...

"Como você, escolhi ter uma memória de sombras, de pedras.
Lutei por conta própria, com todas as forças contra o horror de não entender o porquê dessa lembrança.
Com você, eu esqueci.

Por que negar a evidente necessidade da memória?

Eu encontro você
Lembro me de você
Quem é você

Você está me matando. Você me faz bem.
Como eu poderia imaginar que essa cidade foi feita para o amor?
E que você foi feito na medida do meu corpo?
Eu gosto de você.
Que maravilha!
Que lentidão, tão repentina.
Que doçura!
Você está me matando. Você me faz bem.

"você é como mil mulheres juntas. Você me dá muita vontade de amar."

Agora só falta matar o tempo que nos separa.

É preciso evitar pensar nas dificuldades que o mundo nos apresenta algumas vezes.
Senão, ele se tornaria irrespirável.
Afaste-se de mim!

Eu tinha fome.
Fome de infidelidade, de adultério, de mentiras e de morrer.

 Como com ele, o esquecimento começará por seus olhos.
Igual.
Depois, como com ele, sua voz será esquecida.
Igual.
Depois, como com ele... ele abrangerá você inteiro pouco a pouco.
Você se tornará uma canção."