quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Educadores de Museus

As pessoas que trabalham no setor educativo de museus são EDUCADORES.
Alguns termos me irrita profundamente como hoje vou fazer MONITORIA. Ou alguém que me pergunta "você é o MONITOR?". Quer me deixar com raiva nas veias e sangue escoando pelo meu ventre é dizer: "Gente, presta atenção na GUIA".

Como todos esses termos existem e eu fico demasiadamente incomodada quando as pessoas confundem, resolvi esclarecer, partindo de uma texto:

Educação em Museus: termos que revelam preconceitos. Ana Mae Barbosa 

EDUCADORES: Geralmente são formados em Universidades nos cursos de História, de Arte, de Educação, de Filosofia, de Letras e de Comunicação, enfim. Eles são educadores, pois tratam de ampliar a relação entre museu e público, ou melhor são mediadores entre a obra de arte e o público

MONITOR: É quem ajuda um professor na sala ou que veicula a imagem no HD, no caso dos computadores. Falta de autonomia e de poder próprio.

VISITA GUIADA: Outro termo preconceituoso. Pressupõe a cegueira do público e a ignorância total. Ante foi utilizado Visita dialogada (melhor!). O visitante pensa que não vai se comprometer, vai só ouvir. O termo também não é adequado (visita dialogada) pois como depende do outro para a conversa, pode amedrontar o visitante.

Se você quer ficar sozinho dentro do museu, é possível. Pode ser um momento entre você e a confortante obra de arte.

Mas se você quer conversar, chama um educador para juntos, verem a exposição, trocarem ideias e sensações e informações sobre a exposição.

CURADORIA EDUCATIVA: É usado pra dissimular o preconceito. É usado para quem organiza cursos, seminários, etc.

Bom, na realidade sou uma espécie de professora também. Não entendo o porque, nós de museus, temos um "repelimento" da educação, se somos formados pelas mesmas instituições e pela mesma pedagogia que se formam os professores. Tá certo que não carregamos conteúdos, não damos provas para avaliar e nem temos planos de aula a seguir. Partimos do outro, das referências do outro para iniciarmos nosso diálogo. Perguntamos mais, ouvimos mais e trabalhamos no improviso (lembremos: só improvisa quem domina o assunto, é igual música, teatro, enfim.)

"O desprezo pela educação que caracteriza as entidades culturais de elite é ainda maior quando essa entidade se dedica à arte, especialmente às artes plásticas. Parece que, em se tratando de arte, quanto mais protegê-la da contaminação com educação, mais valiosa será."

O museu é um lugar de elite e não está disposto a mudar sua posição. Diz que arte não se ensina. "Sejamos radicais: nada se ensina, tudo se aprender, depende do diálogo, depende do diálogo da interlocução, da intermediação, da necessidade e do interesse.

Na cultura artística brasileira, educação é considerada sinônimo de mediocridade. (...) Acredito que foi a ação repressora da ditadura e os baixos salários que criminalizaram a educação no Brasil.




    

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