Sempre escrevo sobre os textos que leio. Havia me esquecido que amo cinema e o quanto me faz bem "ver"...
Cada dia da minha existencia noto manias que cultivo. Dessa vez percebi que gosto de pausar o filme, como um click de fotografia... Gosto de compor a televisão. Deixo um tempo pausado e observo a tela, como se olhasse para um quadro no museu ou como se estivesse atrás de uma câmera, pronta para dar o "click".
Outra coisa que adoro fazer é escrever as frases que me toca.
Nunca havia assistido Hiroshima, mon amour. Apesar do DVD ficar pulando (isso me deixou irritadissíma) me sensibilizei com o filme.
Controlamos a memória e não controlamos o esquecimento. A gente simplesmente esqueci. O tempo não cura, o tempo mata. Afasta a presença e embaça a visão. "É um dos deuses mais lindos??". Não, definitivamente, o tempo não é um deus. O tempo é o diabo!
Como eu estou com medo de esquecer e me apavoro de pensar que vou ser esquecida.
Filme:
É um filme de amor. Uma atriz francesa vai para o Japão, especificamente em Hiroshima para fazer um filme sobre paz. As cenas pós bomba atômica são muito fortes.
Lá ela conhece um arquiteto japonês, do qual eles se aproximam intimamente encontrando o amor. Acontece que ambos moram longe e são casados. O pouquissimo tempo que eles se conhecem e que terão tempo para se conhecer não seria suficiente. Sendo assim ele elege um ponto da vida dela para ela lhe contar. Ela escolhe sua juventude, seus 20 anos na cidade de Nevers, na França, quando ela se apaixona loucamente por um soldado alemão morto em seus braços.
E assim começa o filme...
"Como você, escolhi ter uma memória de sombras, de pedras.
Lutei por conta própria, com todas as forças contra o horror de não entender o porquê dessa lembrança.
Com você, eu esqueci.
Por que negar a evidente necessidade da memória?
Eu encontro você
Lembro me de você
Quem é você
Você está me matando. Você me faz bem.
Como eu poderia imaginar que essa cidade foi feita para o amor?
E que você foi feito na medida do meu corpo?
Eu gosto de você.
Que maravilha!
Que lentidão, tão repentina.
Que doçura!
Você está me matando. Você me faz bem.
"você é como mil mulheres juntas. Você me dá muita vontade de amar."
Agora só falta matar o tempo que nos separa.
É preciso evitar pensar nas dificuldades que o mundo nos apresenta algumas vezes.
Senão, ele se tornaria irrespirável.
Afaste-se de mim!
Eu tinha fome.
Fome de infidelidade, de adultério, de mentiras e de morrer.
Como com ele, o esquecimento começará por seus olhos.
Igual.
Depois, como com ele, sua voz será esquecida.
Igual.
Depois, como com ele... ele abrangerá você inteiro pouco a pouco.
Você se tornará uma canção."

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